



Ao longo da minha vida, habituei-me a frequentar mercados municipais, desde muito pequeno.
Gosto do cheiro que têm, mesmo se intenso, como o do peixe, ou doce, como dos vegetais e frutas, ou agressivo, como
o das bifanas e café, porque no mercado, a vida começa cedo e, lá para
as 7h da manhã, já se come algo substancial, tipo almoço antecipado.
A minha vida nestes úlimos anos fez-me, por gosto e curiosidade, ir a
muitos mercados, talvez porque acordo cedo, talvez porque gosto mesmo,
isto nos diversos locais onde a vida profisional itinerante me leva. Mas
a verdade é que procuro sempre o mercado municipal, onde quer que
esteja.
Vejo e vou a muitos : aqueles que, após obras de
requalificação, perderam quase a sua importância, porque os clientes se
transferiram para as grandes superfícies, aqueles que, também
requalificados, continuam vivos e com muita gente.
Mas há algo que
só os mercados municipais têm : aquela vida muito madugadora e intensa,
onde se cruzam vendedores, compradores, jovens universitários a
"curarem" a ressaca recente, gente "respeitável" com "tróleis" para
compras, "alternadeiras" que deixaram o "serviço", sem-abrigo que vão
beber um café, polícias que saem do turno, etc., todo um conjunto que só
aí se junta sem discriminação ou preconceitos.
Em Évora, no
Mercado, na minha última passagem profissional por essa minha terra,
habituei-me, ás 7h 30m da manhã, á bifana no "Martinho", ao copo de
branco no ambiente tauromáquico do "D. Bárbara", á genebra no café
"Pequeno Almoço" ; esse era o meu matutino almoço, isto entre pessoas
que, a essa hora, já comiam de garfo e faca...
Há semanas, descobri o
Mercado de Faro e lá tomei várias vezes, durante o mês em que chamei minha aquela cidade, o meu almoço antecipado, ás 08h 00: favas com
enchidos e "meio quartilho" de branco, por 3 €, seguido de genebra.
Eu já voltei aos Mercados. Passos Coelho ainda aspira a isso....