
Hoje vi, que um Restaurante em Maximinos, Braga, chamado a "Rampinha", aparecia, muito justamente, na RTP 1, dizendo que disponibilizava refeições, ao Almoço e Jantar, para quem não tinha meios.
Li, no JN, julgo que, no sábado, que a cidade do Porto é o local onde existem mais apoios para os sem-abrigo que, de todo o País, para lá convergem. Eu mesmo, em 2007, fui voluntário, para tal, nessa Cidade.
Mas queria dar um testemunho de algo mais "radical".
Conheço um micro empresário de construção civil, com a sua actividade legalizada ( abriu actividade e paga as suas contribuições...) que, quando, em Lisboa (onde trabalha), algum surge a pedir esmola, ele faz-lhe um simples convite : "Vem almoçar comigo, depois, se quiseres trabalhar para ganhar dinheiro, eu pago X por dia, comprometes-te por uma semana e tu experimentas e continuas se quiseres".
Esse jovem brasileiro, pois também chegou cá quase sem nada (mas hoje com actividade legal, repito), optou por algo que só o dignifica e a quem está excluído : associar a remuneração/apoio económico a um trabalho !
Mas este micro-empreendedor disse-me outra coisa : falou-me de alguém a quem fez tal proposta e que, ao fim de alguns dias, desistiu porque, todos os fins de semana, está, muito "bem vestido" e "cheiroso", no Aeroporto de Lisboa, dizendo que perdeu a bagagem, o voo, e assim, ganha mais, pedindo o apoio a quem passa.
Ou seja, este "excluído" tarda a ASSOCIAR O SALÁRIO A UM DESEMPENHO SOCIAL REMUNERADO. O SALÁRIO (MARX, AFINAL TINHA RAZÃO) É A RELAÇÃO ESTRUTURANTE DA SOCIEDADE ...
A minha homenagem a este brasileiro/português "empreendedor" pobre, contudo cristão dos "quatro custados", pois filia estes actos nesta sua militância de Fé, que de si mesmo diz não "ser estudado" (ou seja, não tem a escolaridade da sua idade) e resiste (infelizmente, até hoje...) a processos para tal, mas tem uma perspectiva praticista do que é ser cristão. Mais do que qualquer Presidente do CNIS, UNIÃO DAS MISERICÓRDIAS OU AFINS...
Porque o conheço, estimo e valorizo, aguardo, ardentemente, que ele perceba que existe o RVCC ou o RVCC-PRO e, finalmente, perceba que "ser estudado" não é ir para a Escola, mas, simplesmente, conquistar o lugar a que tem direito, pelas suas competências pessoais e profissionais adquiridas ao longo da vida.
Aquela ideia de oferecer trabalho a quem pede esmola é magnífica, simples, prática, sem custos, mormente, num ramo (obras, construção civil) onde, mesmo em termos informais, não existe muita gente que queira "vergar a mola" ! Mereceria abrir um TeleJornal, de cidadãos também eles com problemas, mas, por isso, de boas notícias, de atitudes positivas, pois se a "crise" existe, temos de ter imaginação para a combater...
Gostava que, com todos os riscos, houvessem outros micro-empresários destes. Que não só "chorassem", mas AGISSEM.
Combateríamos a Pobreza, de facto e com frutos imediatos, junto de quem é pobre.






